ABFH comenta declarações de comitê sobre homeopatia
A Associação Brasileira de Farmacêuticos Homeopatas (ABFH) questiona a afirmação do Comitê de Ciência e Tecnologia da Câmara dos Comuns do Reino Unido, divulgada nesta semana, de que produtos homeopáticos agem como placebo e são “cientificamente implausíveis”. O comitê pediu o fim do financiamento de homeopatia no Reino Unido e criticou o governo por financiar os remédios por meio do serviço de saúde pública. Segundo o grupo, fabricantes de homeopáticos não devem ter permissão de colocar informações nos rótulos sem a evidência científica de como eles agem. O Brasil conta atualmente com cerca de 2.100 estabelecimentos que manipulam homeopatia e algumas indústrias farmacêuticas que fabricam medicamentos homeopáticos. A ABFH ressalta que farmácias e indústrias são regidas por leis sanitárias que asseguram a qualidade final dos produtos destinados aos pacientes. As farmácias, por exemplo, seguem a RDC 67/ 2007, entre outras. Os medicamentos homeopáticos são registrados junto à Anvisa, conforme a RDC 26/ 2007. Para que os pacientes recebam informações corretas sobre o uso e efeitos do tratamento homeopático, o Conselho Federal de Farmácia determina que as farmácias só podem manipular homeopatia se houver em seu quadro de farmacêuticos um profissional com especialização (pós-graduação lato sensu) em homeopatia. Também no Brasil, desde 2006, a “Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares” do Ministério da Saúde prevê que municípios e estados ofereçam serviço de homeopatia à população. Estima-se que 15 mil médicos no Brasil sejam especialistas em homeopatia. Considerando o número de médicos, veterinários, dentistas e farmacêuticos, além do grande número de estabelecimentos que preparam e/ ou comercializam medicamentos homeopáticos, a estimativa é que existam milhões de consumidores. “Considerando que a homeopatia é terapêutica de mais de 200 anos e está no Brasil desde seu início e considerando que a população se torna a cada dia mais exigente e a demanda pela prática continua crescente, parece difícil entender tratar-se apenas de um efeito placebo”, disse a presidente da ABFH, Márcia Gutierrez. A dirigente afirmou ainda que, como medicina baseada em evidências, a homeopatia busca a explicação para o que se pode chamar de um fenômeno. “No entanto, para quem vive diariamente a experiência da homeopatia, sabe que a melhora de pacientes diante de ‘bolinhas de açúcar’ e ‘gotinhas de água’ como veículos da informação homeopática é de tamanha sabedoria que talvez tenhamos algo ainda a evoluir para poder explicá-la”, conclui.
Redação Anfarmag, 24/02/2010
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